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  • agosto 12, 2026

O que pode ser negociado em um acordo extrajudicial trabalhista?

acordo extrajudicial trabalhista

O acordo extrajudicial trabalhista tornou-se uma importante ferramenta para empresas e empregados que desejam solucionar conflitos de forma consensual, sem a necessidade de enfrentar um processo judicial longo e desgastante. 

Introduzido pela Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), esse mecanismo permite que as partes negociem determinados direitos e submetam o acordo à homologação da Justiça do Trabalho, conferindo maior segurança jurídica ao ajuste.

Apesar de sua crescente utilização, ainda existem muitas dúvidas sobre o que realmente pode ser negociado, quais são os limites legais e quais cuidados devem ser adotados para que o acordo seja válido.

Neste artigo, você entenderá como funciona o acordo extrajudicial trabalhista, quais matérias podem ser objeto de negociação e por que a assessoria jurídica é indispensável para proteger os interesses da empresa.

O que é um acordo extrajudicial trabalhista?

O acordo extrajudicial trabalhista é um instrumento jurídico que permite ao empregador e ao empregado resolverem um conflito de forma consensual, levando posteriormente esse ajuste para homologação pela Justiça do Trabalho.

O procedimento está previsto nos artigos 855-B a 855-E da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluídos pela Reforma Trabalhista. 

Para que o pedido seja analisado pelo Judiciário, é necessária a apresentação de uma petição conjunta e cada parte deve estar representada por advogado próprio, não sendo permitido que ambas utilizem o mesmo profissional.

A homologação judicial não é uma mera formalidade. O magistrado analisará se o acordo respeita a legislação e se não há indícios de fraude, coação ou renúncia indevida de direitos.

Qual é a finalidade desse tipo de acordo?

O principal objetivo do acordo extrajudicial trabalhista é proporcionar uma solução mais rápida e segura para conflitos decorrentes da relação de emprego.

Quando elaborado corretamente, ele pode:

  • Reduzir custos com litígios;
  • Evitar um processo judicial prolongado;
  • Trazer previsibilidade para ambas as partes;
  • Preservar o relacionamento entre empregado e empregador;
  • Conferir maior segurança jurídica ao encerramento de uma relação contratual.

Entretanto, sua utilização deve ocorrer com cautela, pois nem todo direito trabalhista pode ser livremente negociado.

O que pode ser negociado?

Uma das maiores dúvidas das empresas diz respeito aos limites da negociação.

Embora a legislação permita ampla autonomia das partes, essa liberdade não é absoluta.

Entre os temas que normalmente podem integrar um acordo extrajudicial estão:

1. Forma e prazo de pagamento

As partes podem negociar:

  • Parcelamento dos valores;
  • Datas de vencimento;
  • Forma de pagamento;
  • Eventual antecipação de parcelas.

Essa flexibilidade costuma facilitar a composição entre empregado e empregador.

2. Valores controvertidos

É comum existirem divergências sobre determinadas verbas trabalhistas.

Nessas situações, as partes podem negociar valores relacionados, por exemplo, a:

  • Horas extras;
  • Diferenças salariais;
  • Comissões;
  • Adicionais;
  • Indenizações.

O importante é que a negociação decorra de efetiva controvérsia e que as condições sejam claramente descritas no acordo

3. Multas e penalidades

Também podem ser estabelecidas cláusulas sobre:

  • Multa por inadimplemento;
  • Atualização monetária;
  • Juros em caso de atraso;
  • Vencimento antecipado das parcelas.

Essas previsões conferem maior segurança ao cumprimento do ajuste.

4. Forma de quitação

O acordo pode estabelecer quais verbas estarão sendo quitadas.

Esse ponto merece atenção especial, pois a delimitação do objeto do acordo influencia diretamente sua eficácia jurídica.

A redação deve ser precisa, evitando interpretações ambíguas.

5. Obrigações acessórias

Também podem ser negociadas questões como:

  • Entrega de documentos;
  • Devolução de equipamentos;
  • Confidencialidade;
  • Sigilo de informações;
  • Cláusulas relacionadas ao encerramento da relação contratual.

O que não pode ser negociado?

Apesar da possibilidade de composição, o acordo extrajudicial não permite que direitos indisponíveis sejam simplesmente renunciados.

O juiz poderá negar a homologação quando verificar, por exemplo:

  • Fraude;
  • Coação;
  • Prejuízo evidente ao trabalhador;
  • Tentativa de mascarar vínculo de emprego;
  • Renúncia de direitos sem qualquer contraprestação.

A Justiça do Trabalho tem entendido que o acordo deve representar uma verdadeira composição entre as partes e não apenas uma forma de afastar direitos legalmente assegurados.

A homologação é obrigatória?

Para que o acordo extrajudicial produza os efeitos previstos na CLT, ele deve ser submetido à homologação da Justiça do Trabalho.

O procedimento ocorre mediante petição conjunta, assinada pelos advogados das partes.

Após a distribuição, o juiz poderá:

  • Homologar integralmente o acordo;
  • Designar audiência, caso entenda necessário;
  • Negar a homologação se identificar irregularidades.

A homologação judicial oferece muito mais segurança jurídica do que um simples documento particular assinado entre empregado e empregador.

Quais cuidados a empresa deve tomar?

Antes de celebrar qualquer acordo extrajudicial trabalhista, alguns cuidados são indispensáveis.

Avaliar a existência de controvérsia

O acordo deve solucionar uma divergência real entre as partes.

Utilizá-lo apenas para obter uma quitação genérica pode gerar problemas e até impedir sua homologação.

Elaborar cláusulas claras

Quanto mais objetivo for o documento, menores serão as chances de interpretações divergentes.

Cláusulas genéricas costumam aumentar a insegurança jurídica.

Formalizar corretamente os valores

É importante discriminar:

  • Quais verbas estão sendo pagas;
  • Forma de cálculo;
  • Datas de pagamento;
  • Consequências em caso de descumprimento.

Garantir representação jurídica independente

A CLT exige que empregado e empregador sejam representados por advogados distintos.

Essa exigência reforça a transparência e o equilíbrio da negociação.

Quais são as vantagens para a empresa?

Quando utilizado corretamente, o acordo extrajudicial trabalhista oferece diversos benefícios. Entre eles:

  • Redução de custos processuais;
  • Solução mais rápida de conflitos;
  • Menor desgaste entre as partes;
  • Previsibilidade financeira;
  • Fortalecimento da segurança jurídica;
  • Redução do passivo trabalhista.

Além disso, empresas que adotam práticas preventivas tendem a construir relações de trabalho mais organizadas e sustentáveis.

A importância da assessoria jurídica especializada

Embora o acordo extrajudicial seja um instrumento valioso, sua elaboração exige conhecimento técnico.

Uma cláusula inadequada, uma negociação mal conduzida ou a ausência de requisitos legais podem resultar na não homologação do acordo, ou até mesmo em futuras ações trabalhistas.

A assessoria jurídica especializada atua para:

  • analisar a viabilidade do acordo;
  • estruturar a negociação;
  • elaborar cláusulas seguras;
  • verificar riscos jurídicos;
  • acompanhar o procedimento de homologação;
  • reduzir o passivo trabalhista da empresa.

Mais do que resolver conflitos, o jurídico preventivo ajuda a evitá-los.

Segurança jurídica começa antes da assinatura

O acordo extrajudicial trabalhista pode ser uma excelente alternativa para solucionar conflitos de maneira eficiente, desde que seja elaborado com responsabilidade e observância da legislação.

Antes de qualquer negociação, é essencial compreender quais direitos podem ser objeto do acordo, quais limites devem ser respeitados e quais formalidades precisam ser cumpridas para garantir sua validade.

Com o apoio de uma assessoria jurídica especializada, sua empresa reduz riscos, fortalece a segurança jurídica e conduz negociações de forma muito mais estratégica.

—

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