As demissões voluntárias estão crescendo de forma significativa no mercado brasileiro, especialmente entre profissionais da Geração Z, que compreende jovens nascidos entre 1995 e 2010.
Dados recentes evidenciam que a rotatividade no Brasil atingiu patamares recordes, sendo a Geração Z a grande impulsionadora desse movimento.
Estudos indicam que profissionais nessa faixa etária permanecem, em média, apenas nove meses em uma mesma empresa, e chegam a liderar 40% dos pedidos de desligamento voluntário no país.
Para gestores e departamentos de Recursos Humanos, que buscam atrair e reter talentos em um cenário de escassez de mão de obra qualificada em diversos setores, compreender as causas subjacentes a essas demissões voluntárias é fundamental.
Mais do que uma simples estatística de RH, essa tendência implica em riscos jurídicos e operacionais que exigem uma atuação estratégica e, muitas vezes, a assessoria jurídica especializada para a devida adequação das políticas internas e mitigação de passivos trabalhistas.
Por que a Geração Z está pedindo demissão voluntária?
A Geração Z, a primeira a ser nativa digital, entra no mercado de trabalho com uma mentalidade distinta, moldada pela conectividade, pelo acesso rápido à informação e pela valorização de questões que transcendem a remuneração.
O que, à primeira vista, pode parecer “falta de compromisso” ou “impaciência” é, na verdade, uma busca incessante por ambientes de trabalho que ofereçam mais sentido e alinhamento com seus valores pessoais.
Os gestores precisam focar em quatro pilares principais para decifrar as motivações das demissões voluntárias dessa geração:
1. Busca por propósito e valores
Ao contrário de gerações anteriores, o salário e a estabilidade não são os únicos fatores decisivos.
A Geração Z deseja trabalhar em organizações com missões claras e impacto social positivo.
A ausência de um propósito verdadeiro ou o desalinhamento entre o discurso e a prática da empresa gera a chamada “demissão por raiva” (ou revenge quitting), um desligamento motivado pela insatisfação com um ambiente corporativo percebido como tóxico, inflexível ou hipócrita.
O que os gestores devem entender: É preciso dar sentido às atividades e comunicar com clareza “o porquê” de cada tarefa, integrando o papel do empregado à missão maior da organização.
A coerência entre os valores da empresa e as práticas de gestão é incessantemente observada e julgada por essa geração.
2. Necessidade de crescimento acelerado e feedback contínuo
A Geração Z valoriza oportunidades de desenvolvimento rápido e espera progressões de carreira mais aceleradas.
Profissionais entre 18 e 24 anos, muitas vezes, se sentem estagnados em suas funções em pouco tempo.
A falta de perspectivas de crescimento é o segundo principal motivo de demissões voluntárias entre os jovens, perdendo apenas para melhores propostas em outras empresas.
O que os gestores devem entender: Estruturas hierárquicas rígidas e planos de carreira vagos são inaceitáveis.
Essa geração anseia por feedbacks constantes, diretos e objetivos, que funcionam como uma bússola de desempenho.
A ausência de orientação clara e a falta de reconhecimento de habilidades individuais são vistas como desinteresse da empresa pelo seu potencial.
3. Flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é um mero benefício, mas uma exigência inegociável para a Geração Z.
Eles cresceram com a flexibilidade da internet e rejeitam a jornada extenuante e a cultura de longas horas de trabalho.
Modelos de trabalho híbrido ou remoto, e a liberdade para gerir a própria rotina, são prioritários.
O que os gestores devem entender: A rigidez de horários e a falta de autonomia sobre onde e como o empregado trabalha causam frustração e são um gatilho para o desligamento.
É fundamental revisar as políticas de trabalho e oferecer um mínimo de flexibilidade, mesmo em funções presenciais, para demonstrar respeito pelo tempo e bem-estar do profissional.
4. Saúde mental e bem-estar
Cerca de 60% dos jovens da Geração Z relatam sintomas de burnout, reforçando a necessidade de ambientes de trabalho saudáveis.
O estresse e a sobrecarga de trabalho são fatores que prejudicam a saúde mental e impulsionam as demissões voluntárias.
Ignorar essa questão é um erro grave que pode resultar em litígios trabalhistas relacionados a doenças ocupacionais.
O que os gestores devem entender: Investir em programas de bem-estar, oferecer suporte integral ao empregado e preparar as lideranças para atuarem com empatia e na prevenção do estresse são ações vitais.
A empresa que ignora a saúde mental da sua força de trabalho jovem está mais vulnerável a processos judiciais e a uma alta rotatividade de talentos.
O papel da assessoria jurídica na prevenção de riscos
O crescente volume de demissões voluntárias entre a Geração Z não é apenas um problema de gestão de pessoas; ele gera um impacto direto nas finanças e na segurança jurídica das organizações.
A alta rotatividade implica em custos elevados com rescisões, novos processos seletivos e treinamentos, além da perda de conhecimento institucional.
É nesse contexto que a assessoria jurídica especializada se torna um parceiro estratégico para os gestores.
Uma assessoria jurídica está preparada para auxiliar as empresas a navegarem nesse cenário complexo, oferecendo soluções que garantam a conformidade legal e a sustentabilidade das operações, tais como:
- Elaboração de políticas internas que atendem às expectativas da Geração Z;
- Treinamento de gestores para prevenir conflitos;
- Revisão de contratos e práticas de RH;
- Orientação sobre segurança jurídica em pedidos de demissão voluntária;
- Auditorias para mapear riscos trabalhistas;
- Adequação de práticas às exigências legais atuais.
Com uma atuação preventiva, a empresa reduz rotatividade, melhora o clima organizacional e evita litígios.
Conclusão
A onda de demissões voluntárias entre a Geração Z é um sintoma de uma transformação mais profunda no mercado de trabalho.
Gestores que optam por manter estruturas rígidas e desconsiderar as demandas por propósito, flexibilidade e bem-estar não apenas perdem talentos valiosos, mas expõem suas empresas a um risco jurídico desnecessário.
Investir na compreensão da Geração Z e na adequação das práticas de gestão é, portanto, um imperativo de negócios e uma estratégia de mitigação de riscos.
Ao contar com a assessoria jurídica especializada, sua empresa garante que as políticas de atração e retenção de talentos estejam em total conformidade com a lei, transformando o desafio da rotatividade em uma vantagem competitiva sustentável. Saiba mais!
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